segunda-feira, 2 de junho de 2014

TEM QUE DESEJAR MUITO!

Há exatos 365 dias atrás eu estava passando por uma cirurgia delicada no meu braço direito, fruto de uma queda de bicicleta enquanto treinava no circuito do IRON de 2013, foi um momento muito triste da minha vida, tenho claro na minha mente as cenas do acidente, o sangue que corria no asfalto, a dor forte que vinha do meu braço e da minha cabeça, a longa espera pelo atendimento médico, e eu deitado no asfalto olhando para o céu e escutando aquele barulho típico das bikes com as rodas de carbono passando ao meu lado e seguindo forte em seus objetivos. Lembro também da viagem de SAMU até o hospital, cada solavanco era uma dor aguda e forte, parecia nunca mais terminar, quando enfim cheguei ao Hospital Celso Ramos e conheci um pouco do Sistema Único de Saúde (SUS), foram 4 horas deitado numa maca no corredor da emergência, a dor só aumentava, meu corpo começava a sentir muito frio e eu tremia muito, às vezes passava alguém e berrava alguma se referindo a mim... até que em virtude dos contato feitos pelas grandes amiga Carla Pulga e Ana Márcia conseguimos que eu fosse atendido (imaginem se não tivesse contatos!). Naquelas 4 horas ali eu passei a refletir, pensei em como tudo aconteceu, eu me perguntava, mas por quê? Porque isso agora? E o meu sonho de completar mais um IRON em 2014? Será que eu sequer voltaria a competir? O que tinha acontecido comigo? Minha família longe, minha esposa e filha em Araranguá e meus Pais já com os seus problemas demais pra resolver em casa. Eu simplesmente me recusava a acreditar. Pensei em muita coisa...pensamentos bons e ruins...mas ali também nascia mais forte um DESEJO! Sim! Eu comecei ali mesmo a decidir que iria em frente! Que iria enfrentar o que viesse! Que ia atrás dos meus objetivos! Depois de tomar 10 pontos na testa e saber que não corria nenhum perigo de lesão craniana e ter diagnosticada a fratura grave de UMERO em três partes, logo parti para as resoluções. Junto com o auxilio do parceirão Nilton conseguimos a remoção para o Baia Sul Medical Center (a previsão de suposta cirurgia no SUS seria de 21 dias), e com a indicação dos amigos médicos fui atendido pelo competentíssimo Dr. Felipe Macri, e ele decretou: “É caso cirúrgico! Temos que colocar uma placa de titânio e alguns pinos.” Sabem qual foi a minha primeira pergunta? “Doutor, eu vou poder fazer o IRONMAN no ano que vem?” Isso mesmo! Eu nem havia feito a cirurgia e já queria o aval médico para me inscrever para o IRON! Eu sabia que não seria fácil, sabia que podia nem acontecer, mas nunca deixei de acreditar. No dia 28/05 as 7 hs da manhã (5 horas após a cirurgia) já fiz minha primeira fisioterapia, e depois se seguiram mais de 120 sessões de fisio, neste ponto também tive muita sorte de ter sido atendido pelo excelente corpo de fisioterapeutas da PERSONAL FISIO, capitaneados pelo Matheus Cardoso e meu fisioterapeuta Vladimir. Quem me via tentando levantar o braço sem sucesso e com muita dor não acreditava que eu estava ali com o objetivo fixo de fazer um IRONAM em menos de um ano, não foram poucos que tentaram me desacreditar e outros tantos que torciam o nariz como que duvidando que isso fosse possível. Já no inicio de Julho fui para a Piscina fazer sessões de hidroterapia, foi ali que senti as piores dores, foi ali que percebi o longo caminho até a primeira braçada, testemunhas desse esforço meus amigos Décio, Carol, Junior, Leo e Flavia puderam ver as pequenas e quase imperceptíveis evoluções a cada semana. Dia 09 de agosto marcou a data da minha primeira braçada, nunca me esqueço do tamanho da minha felicidade!!!!! Foram, duas , três...sei lá...mas consegui percorrer meus primeiros metros, só faltariam outros 3 mil setecentos e poucos... Na corrida, a coisa também evoluiu a passos lentos, eram trotes de 5-10 min com ritmo próximo de 10 min/km, mas em 29 de julho fiz a primeira prova de corrida, foi o Track and Field Iguatemi, onde corri 5 kms num ritmo que até me surpreendeu, 4:41 min/km, mas as dores no braço não davam trégua. Final de julho também marcou meus primeiros minutos de pedal no rolo, mas eram treinos muito leves e com no máximo 30 minutos e sem conseguir apoiar um dos braços no guidão. Somente em Setembro voltei para o local do acidente e fiz um giro leve de 40 min na SC 401, aquilo que era uma rotina, naquele dia significou uma grande conquista. Meados de Setembro tive uma consulta/papo com meu amigo e expert Daniel Carvalho, avaliamos a consolidação da fratura, os movimentos do braço e o prognóstico do super DOC foi muito otimista, já queria até que eu tentasse fazer o 70.3 de Miami, mas eu já estava inscrito no DASH 113 e achei que não teria condições de fazer 02 meio-irons com intervalo de menos de 1 mês. Fui a Miami a passeio, assisti o 70.3 e trouxe minha nova bike para fazer o IRON, treinei 25 dias com ela e no dia 01/12 fiz o DASH, uma prova que me fez sentir vivo, não importou o tempo, não importou as dores, o que importava era ter completado um “long distance” apenas 06 meses após uma fratura tão grave! Depois do DASH o foco passou a ser unicamente o IRON, então comecei o acompanhamento nutricional com o Dr. Braian Cordeiro, que me fez eliminar 7 kg em 40 dias e reformular por completo minha alimentação e suplementação, iniciei também o PILATES com foco no “core” e no fortalecimento dos adutores. Eu sabia que eu tinha que fazer mais, que não bastava treinar como eu vinha treinando, por isso caprichei em todos os detalhes , precisava estar mais leve e mais forte, precisava ter mais energia e disposição, eu tinha perdido muitos meses de preparação e sabia também que tinha dificuldades de movimento que precisariam ser supridas com outras valências Os treinos seguiam conforme planejado, as planilhas estavam cada vez mais carregadas, nunca passei um final do ano tão longe das festa e tão imerso nos treinos, cheguei a treinar 14 dias sem um dia de folga! Mas, infelizmente Deus resolveu levar o cara que me inspirou a correr e depois fazer triátlon, no final de Janeiro meu TIO MAX faleceu jovem, bem na minha frente agonizando de sofrimento após longa luta contra o Câncer, isso me afetou muito, mas ali mesmo prometi a ele que ele cruzaria comigo o portal de chegada. Ah...por falar em Câncer, uma semana após a minha cirurgia meu Pai teve diagnosticado mais uma recidiva da doença, ou seja, se a coisa que já não era fácil ficou ainda mais difícil, pois esse tempo todo além de conviver com a incerteza da minha recuperação ainda travamos e ainda estamos travando mais uma luta contra essa moléstia traiçoeira. A tristeza pela morte de meu TIO foi sendo combatida com treinos e mais treinos, muito Pilates, capricho na alimentação, cuidados com o equipamento e assim foi se aproximando o dia. Em abril mesmo sem poder ir para Caiobá, fiz um simuladão muito bom aqui em Floripa e em seguida uma prova da FETRISC onde fiquei muito feliz com a parte final da prova, a corrida tava muito bem encaixada. Enfim veio MAIO, e com ele os últimos ajustes, polimento e planejamento. Um semana antes da Prova me reuni com o Treinador Paulinho e traçamos os objetivos do IRON, seria uma prova com uma natação consciente e respeitando meus limites, uma bike conservadora e uma corrida moderada e curtindo cada instante. Na véspera da Prova, eu estava incrivelmente calmo, se comparado ao outro IRON de 2010, tive o apoio fantástico do grande amigo e ULTRAMARATONISTA, Raphael, que com seus dotes culinários me ajudou a preparar as batatinhas assadas e em sache para a prova e juntamente com a minha super especial Irmã (FABIANA) , sua amiga Luciana, minha sempre fantástica esposa, PRISCILA, e por fim do grande parceiro de treinos André Santos (BRUCE), trocamos algumas ideias, fizemos um jantar maravilhoso e com essa agradáveis companhias nem senti a apreensão pré-prova. Depois de dormir umas poucas horas, as 4 da manhã já estava tomando meu café e as 4:30 partimos para Jurere, deixamos a alimentação nas sacolas e partimos para a beira do Mar. A previsão era de muito frio, mas felizmente parece que o frio não veio tão rigoroso quanto prometia e com isso um dos meus temores se dissipou, aqueci um pouco nadando e depois fui para o funil de largada. O Mar estava perfeito, lisinho, pontualmente as 7 hs foi dada a largada e dessa vez larguei bem na linha reta da primeira bóia, talvez por isso tenha levado tanta pancada, mas consegui fazer uma boa orientação e tentei pegar algumas esteiras. A primeira perna foi tranquila, sai da água com 39 minutos (2160 m), procurei fazer uma segunda perna mais forte e mais uma vez senti muita pancadaria, no final soltei bem as pernas e já mentalizei a transição para a bike. Fechei a natação com 1 h e 15 min (na hora achei estranho, mas depois descobri que a natação teve 4200 m ). A transição foi tranquila e até um pouco enrolada (muita comida pra colocar nos bolsos) Sai girando tranquilo e quando tinha uns 7 km de pedal, um argentino me chamou atenção pois meu Número de Peito não estava aparecendo, foi então que descobri que ele estava por dentro do meu TOP, tive que parar e fiz uma espécie de nova transição bem no meio do trajeto. Perdi mais uns 5 minutos. Mas isso não me abalou, eu queria curtir a prova e nada iria me tirar do meu foco. A primeira volta de 90 km foi tranquila e pareceu ter passado muito rápido, aproveitei pra desenvolver e muito a técnica de eliminar líquidos sem precisar desmontar da bicicleta! Na segunda volta, eu pretendia colocar em prática o planejado, e fazer uma segunda perna mais forte, porém o vento entrou forte e a maior parte do trajeto foi feito com muito vento contra, tive então que me resguardar e passei a girar muito para deixar as pernas para a corrida. A torcida foi um caso a parte! Tinha gente gritando o meu nome em tudo quanto é lugar, lá no Sul da Ilha lembro bem do Gerson, ZECA e tia Marise, na Beiramar vi o LUCHI, na subida do jardim da Paz estava meu amigo JONNY e sua linda filhinha Isabela, muito outros chamaram pelo meu nome mas não consegui visualizar. Lá em Jurere o calor humano era reernegizante, quando passei lá senti como se estivesse começando de novo a prova, foi muito bonito as torcidas juntas, a torcida do KADINHO, do YAN, do PUMA, do ZACK, do XANDE, do OTTO, do ANDRÉ, do GELCIO, do EVERTON, da JOSI, do PAULINHO, todos juntos cada um em um ponto, parecia um longo corredor humano torcendo por mim e me dando aquele gás. Enfim, chegou o fim do pedal, a transição foi mais rápida e só não foi mais rápida porque tive que ir ao WC fazer o “number one”, sai pra correr quase caminhando e tirando as coisas da sub-sacola (aprovadíssima), passei pela turma verde, pedi ao RAPHA um ADVIL e sai pra enfrentar as temidas subidas de CANAJURE. Quando passei na frente da SPRINT tive mais uma injeção de animo, a torcida era gigante, não vou nominar, pois tenho medo de cometer alguma injustiça, mas foi muito bom saber que ao final das subidas iria passar ali de novo e talvez precisando muito daquela força! As subidas foram tranquilas, caminhei muito pouco e no km 8 encontrei o EVERTON e nos juntamos e seguimos juntos até a frente da SPRINT, depois ele ficou num posto de hidratação e eu segui. Segui achando que ele me alcançaria, mas foi exatamente ao contrário e eu tava me sentindo muito bem, segui num ritmo muito bom e me sentindo bem, finalizei a volta dos 21 km e no inicio da segunda volta avistei o amor da minha vida e conforme havia planejado fui em as direção e tasquei-lhe um beijo (mesmo com ela dizendo...não para, não para...mas era pra não parar de correr....rs!), eu tava tranquilo, tava feliz sentindo que tudo estava como eu queria. Nesta volta eu vi mais algumas pessoas muito importantes na torcida , Claudinha , Gabi, Karen e Leo, Lu, Victor, Amilcar, Monica, Biel, Tamara, Quick, Luana, Adalby, Beta, Juninho, Tati, Renatinha, Maioral, Gustavo, minha Irmã Fabi, Tais, Cassiano, Junior, tia Graça e mais a frente na Dourados encontrei o Braian e meus Pais. Era uma festa! Foi uma festa! Eu continuei correndo , o Advil salvador veio no KM 25 e então foquei na alimentação , que por sinal foi perfeita, as batatas assadas com um pouco de sal grosso, foram perfeitas, os sachês de batata doce entraram como uma luva, a diminuição na quantidade de géis ingeridos durante toda a competição foi outro fator muito positivo e que evitou aquele inchaço e disfunção que tanto me incomodou em 2010. Ao se aproximar o km 30 e fiquei aguardando aquele momento em que um “piano” cai na cabeça do maratonista, geralmente no km 32, mas veio o 32 e nada, então pensei , vai vir no km 38, como foi em 2011 na Maratona de SC, e veio o 38 e nada, então pensei , se não veio até agora, não vem mais! Tocaleopauuuuuu! Fui apertando o ritmo e corri esses últimos 4 kms fazendo mais força e me divertindo, passando os que tinham duas pulseirinhas e contando, foi muito bom, esse sentimento de plenitude é demais! Eu tava ali, mesmo contra muitos prognósticos, muitas dúvidas, alguns obstáculos, mas eu tava ali e numa condição muito boa!!! Os metros finais foram curtindo a torcida , os gritos , os acenos , peguei o banner com a foto do meu TIO e fui cumprir a promessa de que ele cruzasse a linha de chegada comigo, e cruzamos, eu desaguei em lágrimas, foi por ele , foi por mim, foi por tudo, por tudo o que passei , por tudo que neguei, por cada dia de treino , pelo meu Pai, pela minha família, pelo esporte e pela VIDA! 11 horas e 13 min! FELIZ PELO RESULTADO E MAIS AINDA PELA FORMA COMO ELE VEIO! Queria muito dar um agradecimento especial ao treinador Paulo Domingos, aos fisioterapeutas Wladimir e Matheus, ao Dr. Felipe Macri, ao médico e grande amigo Daniel Carvalho, ao Nutricionista Braian Cordeiro, aos parceirões de treino André, Cassiano e Nilton, aos meus sócios, Victor e Curi, por aguentarem as pontas, ao Rolfista Edu, ao Professor de Pilates, Alexandre. Um grande MUITO OBRIGADO ao grande amigo, parceiro e Staff , RAPHAEL COELHO, show de bola irmão! À minha irmã pelo suporte incrível na véspera, no dia e no pós prova! Tua foi guerreira! À minha esposa, companheira, amiga e amante, PRISCILA ORTIGA, você é tudo para mim! À minha família por entender as minhas ausências. E ao meu TIO (in memoriam) por ter despertado em mim essa paixão pela corrida e pelo triátlon, você é e sempre será fonte de INSPIRAÇÃO! E a todos que de uma forma ou de outra cruzaram meus caminhos nessa longa jornada!!!! OBRIGADO!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

DE VOLTA PARA O FUTURO!!!

Quando resolvi participar de mais uma edição do Triatlon Long Distance Caiobá pensei apenas em me divertir e ter alguma prova como meta para o primeiro semestre do ano de 2013. Não imaginava que teria tão boas surpresas como tive. Minha preparação para esta competição foi feita com bastante tranquilidade, tudo o que fiz foi tentar acompanhar meus colegas de equipe que se preparam para o IRONMAN 2013 e como essa turma tá treinando forte, bastou ficar na “aba” deles para obter uma condição mínima para completar a prova. Passada a fase preparatória, partimos para a viagem rumo ao litoral paranaense, eu e o André Santos fomos num carro e logo atrás foram os amigos Xande e Josi, a viagem foi muito tranquila e em pouco mais de 3 horas encontramos o Décio e Carol, Rodolfo e a Rebeca na Balsa que nos levaria à Matinhos, com a reunião desta turma o clima pré prova começava a esquentar. Chegamos no hotel e deu tempo para um cochilo rápido antes do congresso técnico, regras repassadas partimos para um jantar de massas no centro da cidade, nesta hora já havíamos nos juntado ao treinador Paulo Domingos, ao futuro triatleta Osvaldo e ao pessoal de Blumenau, Yan, André, Gerson.... Após a janta, nos reunimos no quarto do comandante para as últimas instruções e mensagens de motivação, foi me dada a palavra e confesso que fui pego de surpresa, falei um pouco da minha experiência nas edições de 2010 e 2011 e do que significa essa prova como parte da preparação para o IRON (espero que tenha ajudado em alguma coisa). Depois, cada um foi para seu aposento e tratou de ultimar os preparativos para o evento, arrumar a bike, deixar tudo separadinho para o dia seguinte, touca, óculos, roupa de borracha, sapatilhas, capacete, óculos de sol, macaquinho (ou top), bermuda de ciclismo, relógio, viseira, porta numero, tênis, meias...chip....epa ! CHIP!!! Aí tive a primeira surpresa, o elástico que veio para amarrar o chip ao tornozelo não caberia nem na canela da minha filhota Manoela e muito menos na canela de um certo ser de CABEÇA privilegiada!!! Liguei para o apartamento do organizador da prova que disse me compreender e que eu o procurasse no dia seguinte pela manhã. Mas não tem jeito, isso me deixou inquieto e preocupado e por conta disso minha noite foi muito mal dormida. A noite foi assombrosa, o vento batia forte na janela do quarto e o frio cortava as almas lá fora, a expectativa era de um mar muito mexido e com ondulação forte e muito vento na bike. O dia amanheceu e o vento ainda estava lá, um pouco mais brando, mas o mar ao longe mostrava que estava nos aguardando para nos desafiar. Tomamos um café rápido as 5 hs da madruga e as 6:15 já deixamos as bikes na transição, voltamos correndo para o quarto para pegar e colocar a roupa de borracha e quando vimos já faltavam apenas 15 minutos para a largada! (e eu não fui ver o problema do meu elástico). No caminho para a largada o André descobriu que havia trocado de relógio com o Paulinho e fomos a procura do mesmo, depois de muito procurar desistimos e nem deu tempo de mais nada, a buzina de largada já ecoava e lá fomos nós para a primeira etapa da prova. Ao contrário do que pensávamos o Mar estava ótimo e como a natação foi feita toda a favor da correnteza o nado fluiu bem, revendo um vídeo da largada percebi que cometi dois erros, sai muito atrás (preciso me posicionar mais a frente) e deveria ter contornado a primeira bóia abrindo mais a curva para evitar o “embate” que praticamente me paralisou por uns 2 minutos. Mesmo assim fiz um bom tempo e parti tranquilo para a transição nado/bike. A transição não passou de 2 minutos (contando uma corrida de 400 m) A etapa do ciclismo começou com o vento nos empurrando e a empolgação também, talvez por isso acho que sai meio forte nos primeiros 10 kms, mas estava me sentindo muito forte e confiante, segui tentando manter o ritmo , ao fazer o primeiro retorno no km 21 pegamos o vento contra e daí aquela minha empolgação diminuiu e tive que procurar girar mais para não sentir a falta de pernas na corrida. Durante o percurso fui “empacotado” várias vezes pelos enormes PELOTÕES que se formaram, tentei de tudo para me livrar deles, primeiro “ataquei” e tentei uma fuga, mas era desumano e em pouco tempo o pelote já estava ali me engolindo de novo, e então deixei eles partirem, por volta do km 50 senti um dor aguda no lombar e um cansaço chegando, normal pensei, meus treinos são em média de 60 km e portanto era natural que exatamente neste ponto sentisse um pouco mais de dificuldade, então resolvi girar mais e aliviar o ritmo, nesse instante fui mais uma vez empacotado e dessa vez o pelotão devia ter uns 40 competidores e foi muito difícil me livrar deles, tive que sair do clip, beber agua, comer uma bisnaguinha jogar o ritmo lá pra baixo para que eles de distanciassem de mim. Envolvido com essa tarefa de sair do pelote nem percebi que já estava no final do ciclismo e quando dei por mim já estava entregando a bicicleta para começar a corrida. Transição programada na cabeça, deixei a magrela no cavalete, e tirei o capacete, coloquei a viseira e quando fui colocar a meia e tênis percebi que não tinha mais CHIP, ele sumiu! Nessa hora excomunguei muito aquele pífio pedaço de elástico, eu havia perdido todas as parciais da prova e pensei que nem teria minha classificação garantida no final, me bateu um desanimo enorme, mas foram alguns segundos de fraqueza, e em seguida decidi que seguiria assim mesmo e que nada me tiraria do objetivo que era bater meu tempo do ano de 2011. Parti pra corrida , logo no inicio cruzei pelo Paulinho e a única coisa que me lembrei de falar foi :PERDI MEU CHIP POR.......!!!!....(Hehehehe..) Os primeiros 7 kms foram feitos num ritmo mais rápido do que o planejado, mas mantive o plano no segundo terço da corrida e tentei baixar no último terço, mas não consegui, no final o ritmo da corrida foi constante do começo ao fim e em nenhum momento senti o peso das pernas! Durante toda a competição não olhei nenhuma vez para o relógio para ver o tempo total, deixei para ser surpreendido pelo relógio do pórtico de chegada (ou não), quando me aproximei do portal meus olhos se encheram de lágrimas, pensei na distancia da minha família (que já não via há um semana), na saudade, nas manhas de treino e olhei para o cronometro e vi que eu havia vencido...sim venci...venci a mim mesmo! Consegui baixar meu tempo em 22 minutos e para um QUARENTÃO isso significa muito! Caiobá mais uma vez vai ficar na minha memória, esta prova vai marcar meu retorno as provas depois do nascimento da minha filha e vai me colocando de volta para o futuro, que será o IRONMAN 2014!!!! Um grande abraço a todos! MARCOS ALEXANDRE

sexta-feira, 22 de junho de 2012

UMA BELA PROVA - EM TODOS OS SENTIDOS

Neste final de semana aconteceu aquela que, em minha opinião já se tornou uma das TOP 5 Meias-Maratonas do Brasil! A Meia de Floripa (O2/ASICS), realizada num período do ano que não há excessos de provas nos calendário, com temperatura amena e circuito quase todo plano, a charmosa competição mais uma vez deu um banho em organização e logística. A começar pelo belo KIT contendo uma Bolsa de material mais resistente, uma touca de corrida, um gel da Pacific Health e uma bela camisa de mangas compridas e tecido tecnológico, a organização só deixou a desejar no quesito pontualidade, um atraso de 15 min compromete o aquecimento e suplementação dos atletas e é inaceitável! As alterações no percurso foram excelentes e toda a hidratação estava perfeita. Outro elogio que não posso me furtar a fazer é quanto ao recolhimento dos copinhos de água vazios, diferentemente da outra Meia realizada em Março deste ano, 4 horas depois do inicio da Prova não se via um mísero copinho largado nas ruas ou canteiros centrais da Beiramar! PARABÉNS! Esta corrida marcava para mim o reencontro com a distancia que mais gosto de fazer, eu acho uma Meia Maratona um oportunidade completa de se testar seu rendimento em termos de velocidade, mas também em termos de resistência e estratégia de corrida. No ano passado eu havia feito minha melhor marca em 1:37:14 Hs e neste ano eu andava meio preocupado com o que viria pela frente, pois não estou tão treinado quanto nos anos anteriores e nas semanas que antecederam a prova meus treinos de corrida se limitaram a um treino de “intervalados” por semana, isso me deixou bastante inseguro quanto a minha capacidade de manter uma boa velocidade por mais tempo em distancias maiores. Por isso, larguei tentando ser o mais conservador possível, e com exceção do primeiro Km onde cravei 4:12 min os próximos procurei manter na faixa de 4:35 min/km. Consegui manter esse ritmo até o km 8, aonde tomei o primeiro Gel e aumentei um pouco o ritmo para 4:25 min/km. Nessa hora comecei a avistar alguns corredores que a gente já conhece e sabe que tem tempos bons para a distancia. Achei esse “pace” bastante factível e me mantive nele até o km 17, (tomei outro gel no KM 15). A essa altura e já não olhava mais pro relógio e nem queria saber qual era o tempo total já percorrido, não queria ter que fazer contas e “sofrer” pela angústia de quebrar ou não minha marca anterior. Depois de trocar umas palavras com o Paulinho (treinador) achei um corredor que parecia estar num ritmo bom e o segui até o final. Subi a Ponte a 4:38 min/km e compensei nos Km 19, 20 e 21 fazendo 4:07; 4:12 e 4:03 min/km. Nos últimos 210 metros (sim 210 metros! Quando deveria ter apenas 097 metros) dei aquela SPRINTADA fatal e rodei pra 3:40 min/km . FECHEI A MEIA MARATONA COM MEU NOVO RECORDE MUNDIAL PESSOAL DE 1 HORA 33 MIN E 13 SEGUNDOS! Baixei em mais de 4 minutos meu tempo anterior! OBRIGADO A TODOS QUE ME APOIARAM ANTES E DURANTE A PROVA! Mas a conta veio salgada, hoje 4 dia depois ainda sinto as panturrilhas doerem e ainda não dei um trotinho sequer... MAS VALEU MUITO A PENA! QUE VENHA A PRÓXIMA! ABRAÇOS MARCOS ALEXANDRE

quinta-feira, 19 de abril de 2012

UM SÓ CORAÇÃO!!!


Difícil escrever algo inédito depois de ter lido todos os relatos dos demais integrantes da SPRINT, mas não posso deixar de compartilhar mais um momento único que o esporte mais uma vez me proporcionou!

Hoje vasculhei meus arquivos e descobri que este foi meu 6º VOLTA A ILHA, isso me surpreendeu, eu achava na QUARTA edição, mas esta edição foi especial e foi diferente das demais.

Começa pelo fato de que pela primeira vez eu largaria no meu trecho junto com a minha irmã, Fabiana, e pela primeira vez meu Velho tava lá as 5 h da madruga pra tirar umas fotos e nos prestigiar, pode parecer besteira pra muitos, mas essa cena de ver meu Pai lá cheio de energia e emocionado significa muito para mim e para a minha família.

Aqueci uns 10 minutos e fui pro Portal de largada, dei umas dicas pra FABI e aguardei a contagem regressiva, exatamente as 5:45 H foi dado inicio ao trecho 01, larguei mais atrás um pouco, mas em poucos metros já estava na “cola” dos líderes.

Após uns 300 metros resolvi “atacar” e ultrapassei os líderes e segui no meu ritmo, de repente eu percebi que eu tava sozinho, sim sozinho! Aliás, eram somente EU e o “batedor” da policia!!! CARAMBA!!! Eu tava liderando! E com direito a “batedor” e tudo!

Confesso que nunca na minha vida teria passado na minha cabeça que iria sentir esta experiência. É uma sensação maravilhosa, eu fica vendo os líderes das provas na TV e imaginando como seria ser o Primeiro, e hoje, quando eu menos esperava lá estava EU!!!

Bem..voltando pra prova, depois de controlar a emoção passei a monitorar o “pace”, fechei o primeiro KM pra 4:09, achei muito forte, e então sem olhar para trás fiz o segundo km no ritmo que imaginava ser possível de sustentar até o final.

Fui mantendo o ritmo e no km 3 avistei uma turma empolgada ali na altura da Casa do Governador, eles vibravam muito e me deram aquele gás enorme, nesta hora senti minha responsabilidade aumentar e só então olhei para trás e pra minha surpresa não consegui ver o segundo colocado...

Era só EU e o Batedor, era só EU e uma sensação Feliz e que ao mesmo tempo me enchia de responsabilidade, dali pra frente eu não podia mais perder a posição!

E fui assim até o fim, fechando o percurso em 30:12 min com pace de 4:15 min/km e uns 2 min na frente do segundo colocado!

Encontrei o PAULINHO e ao contrário dos anos anteriores eu nem parecia ter terminado um trecho, eu falava sem parar, eu tava “pilhado” e mal entrei no carro de apoio já encontrei a ANINHA fazendo o trecho 02, sai do carro e fui incentiva-la a subir o morro do Hotel Maria do Mar, ela subiu mais rápido do que eu pude acompanhá-la!

E assim se seguiu a Prova , Xande esmerilhou o Trecho 03, NILTON MINOTAURO fez jus a fama de corredor de Elite e triturou o trecho 04, eu ainda tentei “busca-lo” no último Km , mas o Cara corria pra 3:50 min/km!

A PULGA tava lá no funil pronta pra encarar o trecho 05, o OSVALDO surpreendeu a todos e enquanto eu e o Xande o esperávamos na descida do Morro de CANA-JURE o Paulinho nos avisava via Celular de que ele já tava quase finalizando o trecho!

O LEO encarou o trecho mais difícil no novo formato com muita garra e maestria!

JOSI, tá merecendo seu lugar na equipe de Elite, como corre essa OGRA!

A JANA correu o trecho 09 com classe e rapidez e ainda conseguia fazer a orientação nutricional de 27 corredores durante mais de 13 hs, tarefa pra poucos!

Nesta hora eu já tava lá no Posto 12, esperando para iniciar mais um trecho, infelizmente por compromisso pessoal, seria meu último contato com a equipe “UM SÓ CORAÇÃO”, eu tinha um casamento e era padrinho,então corri todo o trecho com um nó no coração, pela primeira vez eu não estaria lá, não estaria na linha de chegada para ver concluído todo o “ trabalho” do grupo, por isso tentei fazer o meu melhor e consegui subir o Morro da Barra e da Praia Mole sem caminhar, fechando na JOACA comum pace médio de 4:42 min/km!

Depois, segui com a Turma até a Av. da Rendeiras de onde me despedi de todos com uma tristeza profunda em minha alma, mas ao mesmo tempo Feliz por ter podido conviver com uma equipe tão especial e ter dado minha pequena contribuição para vencermos o desafio informal contra a EQUIPE “UM SÓ FÍGADO”, mas os Caras venderam caro , tem gente ali pedindo “passagem”!!!

Esse foi mais um dia especial na minha vida e mais uma vez quero agradecer a DEUS por me dar saúde pra poder viver desse jeito!


ABRAÇOS

MARCOS ALEXANDRE

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um por todos e todos por um!


Estamos a 5 dias de uma das provas de revezamento mais desejadas do Brasil, o Mountaindo da Lagoa - http://www.mountaindo.com.br/provas/lagoa-da-conceicao - foi nesta competição que eu fiz a minha estréia em revezamentos.

Naquela primeira vez, não tínhamos equipe de assessoria esportiva e nos “juntamos” pra correr em um grupo de amigos da academia, sendo que na última hora ainda recebemos mais dois atletas que estavam “sem equipe” no site do evento e nos procuraram.

Os tempos eram outros, eu ainda era “cru” em provas de montanha e muito menos ainda em revezamentos, mas tudo deu certo, e dali em diante apaixonei-me por esta modalidade e venho participando de tantas quantas eu puder nos últimos anos!

Depois, daquele inicio meio “amador”, a coisa foi evoluindo ao ponto em que hoje disputamos esse evento com não UMA, mas QUATRO, CINCO ou SEIS equipes da nossa Assessoria Esportiva.

Todos com planilhas de tempo estimado, tarefas para cada integrante, logística de todos os carros, lanches especiais, hidratação e suplementação profissional e sob a “batuta” do nosso Treinador PAULINHO.

Porém, neste ano não poderemos contar com ele, e por isso teremos que chamar a “responsabilidade” para si e cada um terá que se doar um pouco mais para que as coisas saiam dentro do planejado e que os imprevistos sejam equacionados de forma célere e inteligente.

Para que tudo funcione é preciso que haja comprometimento de cada um e que nenhum detalhe seja menosprezado, cada qual deverá saber que ao finalizar seu trecho deve imediatamente dirigir-se para o Carro de apoio para que não haja atropelos no próximo “posto de troca”.

Este ano haverá um chip e é o próprio bastão, portanto temos que fazer a “passagem” exatamente no “funil” do posto de troca.

Devemos lembrar que o atleta que chega vai precisar de água e repositor e que caberá a cada um de nós da equipe lembrar de estender a mão amiga e fornecer isto ao próximo.

Aqueles que estão com preparação com mais Volume de treinos deverão ir “puxar” os colegas de equipe de modo a fazer com que todos se sintam motivados e capazes de concluir seu trecho com toda a energia e vibração já famosa na nossa equipe!

Enfim, será um Mountaindo diferente, será momento de realmente fazer a força da União, união com inteligência e espírito de solidariedade, lembrando que não vencedores nesta prova e que todos nós já somos vencedores pelo simples fato de estar lá e poder desfrutar de momentos de convivência e esporte, tão raros nos valores da sociedade moderna.

Sábado será UM POR TODOS E TODOS POR UM!

Abraços

Marcos Alexandre